Tuesday, April 10, 2007

Pássaro morto

Largura de um pássaro apertado,
Suficiente espaço para a fuga:
Ruflou as asas, pulou feito pulga.
Caiu no chão defunto estatelado.

Só penas. Duras penas a tal ave,
Que no leito de morte já cantava
O pio, o canto em cantos, que lhe dava
Passagem para ingresso numa nave.

Passou - passamento sem escala.
Os ecos das canções nunca esquecidas
Ficarão para todo o sempre tidas
Como a voz que não cala e não se cala.

Calou-se. Sustenidos não há mais.
Formigas vêm até o bicho morto,
A seta que saiu com rumo torto,
O barco que não mais retorna ao cais.

7 Comments:

At 9:01 AM, Anonymous Andrea, a Leoa said...

É meu querido amigo , este poema seu revela exatamente a perenidade, o quanto tudo é efemêro...e quantos já não foram...e ficam em nossa memória...
precisamos mesmo depois da morte ...deixar os pássaros livres para voar...grande paradoxo...o apego...Me fez pensar por que ainda enterramos nossos mortos ? Para sempre visitá-los ? Não é a mesma coisa que guardam tópicos...em comunidades ...ou será que é ... pq não queimamos... no fogo do espírito ? Do pó ao pó...cinzas...já tivemos tantas cores... pq não podemos virar cinzas ? Me fez ter muitas reflexões este seu pássaro morto...que jaz ali...e a lembrança do canto... e do encanto... será que um dia o tempo apaga ?

 
At 10:45 AM, Anonymous Ronaldo Felipe said...

Afonso, estou surpreso com a sua habilidade literária, não só pelo texto que foi impresso no jornal da semana de direito como também pelos textos que li aqui no seu blog. Parabéns pela sua criatividade e pelo seu labor poético que me deixou pensativo ao ler suas escritas. Um abraço!

 
At 9:29 PM, Anonymous Kim _o/ said...

Seus escritos são muito fúnebres! Bom... é meu estilo favorito de literatura! *-*

=P

 
At 8:18 PM, Blogger Marília Passos said...

imagens bonitas :)
mas devo dizer q nao ando a melhor leitora de poemas ultimamente. meu negócio é conto =x

em todo caso, gostei das suas coisas. comentei no da poligamia tb hehee dá uma olhada la :)

abralço, rapaz.

 
At 1:58 PM, Anonymous Anonymous said...

vocabulário apurado significa pouco quando o entendimento à massa é prejudicado. fazer somente literatura proparoxítona não atinge com o grau que deveria atingir. tino há, só não equilíbrio. talvez se usado a língua que se realmente faz uso, talvez tudo seria mais belo. deixe para trás a forma, e valorize mais o conteúdo. você vai longe; só não dê assistência à ausência de democratização artística.

 
At 7:58 PM, Anonymous Anonymous said...

é o que, rapaz? o belarmino é o cara das proparoxítonas, e ponto final!

assume logo que nao entendeu! ;p

 
At 7:59 PM, Anonymous Felipe Felix said...

esse aí em cima tmb é meu!

\o

 

Post a Comment

<< Home