Saturday, June 18, 2005

Último sopro de um semivivo

Imerso em lamacento beco escuro,
com as carnes furadas pela faca.
Seu maior apetite: uma maca
que o leve ao mais próximo monturo.

As moscas fazem casa em cada furo.
Os vermes já afinam a estaca
que estacará no peito feito placa.
Ainda tenta apoiar-se no muro,

o sacerdote da unção final;
o médico da derradeira ausculta...
Jamais alcançará o hospital.

Na melhor das hipóteses, um bar.
Assim como nós, ele morrerá
antes mesmo de chegar à consulta.

1 Comments:

At 5:00 AM, Blogger pedro roney said...

E quantos? Tantos vejo moribundos
Sem um padre para lhe dá unções
Ludibriando mentes, corações...
Contando mentiras aos vagabundos!

Para dizer no dia do Juízo
Mesmo que seja apenas fantasia
Para fingir que ele morreria
Mas logo iria para o paraíso!

 

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